Estimativa feita pela Abrablin deve vir como impacto após exclusão de vidros de segurança e autopeças do regime de substituição tributária no estado
O setor de blindagem veicular no Estado de São Paulo deve passar por um reajuste técnico estimado entre 14% e 16% em seus serviços. O valor é calculado pela Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin) e decorre em consequência de recentes alterações na legislação tributária paulista, que removeram os vidros de segurança e as autopeças do regime de Substituição Tributária (ST) do ICMS, alterando a forma de apuração do imposto sobre os materiais aplicados na blindagem.
As mudanças legais começaram em 1º de Outubro de 2026, com a saída dos vidros automotivos do regime de ST, e ganharam novos contornos com a Portaria SRE nº 34/2026, que revogou a substituição tributária para autopeças com efeitos a partir de 1º de outubro de 2026. Com as decisões do governo estadual, o imposto deixa de ser recolhido antecipadamente por base presumida e passa a incidir pelo regime normal (alíquota interna de 18% sobre o preço final efetivo), exigindo a recomposição dos custos de operação.
“A blindagem se enquadra no item 14.01 da Lei Complementar nº 116/2003, combinando mão de obra, sujeita ao ISS, e aplicação de materiais como vidros de segurança, sujeito ao ICMS. A mudança direta na base do ICMS afeta diretamente o custo final do serviço, que infelizmente deve ser repassado ao consumidor final”, analisa Andreia Canassa, presidente da Abrablin.
O índice de reajuste entre 14% e 16% calculado pela entidade que representa o setor no país absorve os efeitos do novo regime do ICMS, a cascata de impostos como PIS, COFINS e ISS sobre o reajuste, além de custos financeiros da transição de estoque.
Andreia ressalta que essa possível alteração nos valores não visa ao aumento do lucro das empresas, mas apenas à neutralidade do resultado frente ao aumento da carga tributária. “O índice deve servir como referência média de mercado e pode balizar a estrutura de custos, o regime tributário e os contratos em vigor de cada empresa para definir o repasse final ao consumidor”.
A mudança tributária acontece no período em que o setor registra crescimento. Somente no primeiro semestre de 2026, foram 17.290 novos carros blindados par auso civil (aumento de 4% em relação ao mesmo período de 2025), além de outros 1.848 voltados para Órgãos de Segurança e Ordem Pública (OSOPs).
São Paulo é o estado que mais blinda veículos no país. Nos primeiros seis meses do ano, foram 10.307 veículos (60% do total no país). O estado paulista concentra o maior mercado de carros, além de ser a sede da maioria dos blindadores e fabricantes de materiais, o que demonstra a preocupação com a mudança tributária e o risco de afetar, inclusive, o mercado para outros estados do país.
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